Arte · Código · Pensamento —

Arte e construção de sistemas

Quando alguém me pergunta como concilio pintura e programação, a resposta curta é que nunca tratei essas duas coisas como práticas separadas o suficiente para precisarem ser conciliadas.

Pintar uma série é, entre outras coisas, projetar um sistema: definir variáveis que vão se repetir (um material, uma proporção, uma cor dominante), decidir o que pode mudar de uma obra para outra e observar o que emerge dessas restrições. Escrever um programa é exatamente isso, só que com uma matéria diferente — texto executável em vez de tinta.

A diferença mais interessante não está na lógica interna de cada prática, mas no tipo de feedback que cada uma devolve. Um programa erra de forma explícita: não compila, quebra, retorna um resultado errado. Uma pintura erra de forma silenciosa — continua ali, tecnicamente correta, mas sem dizer nada. Aprender a perceber esse segundo tipo de erro é, talvez, a parte mais difícil de qualquer prática criativa.

O que aproxima as duas coisas, no fim, é a disposição de tratar qualquer matéria — tinta, código, terra — como um sistema de relações a ser compreendido antes de ser transformado.

← Voltar para o Caderno